As palavras vibram em acordes angelicais e se refletem na imensidão, despertando em nós a lembrança de que quase tudo o que enxergamos é reflexo, e não essência. Vivemos o hoje como se fosse eterno, esquecendo que o amanhã se aproxima silenciosamente, trazendo o espelho de nossas próprias ações. Distantes milênios ressoam em cada alma que caminha. O tempo não passa – ele apenas se dobra sobre si mesmo, mostrando que ainda estamos aprendendo o significado de existir. Pela ilusão se perde a humanidade, e pelo orgulho se fecha o coração. Quantos séculos já se foram desde que o Filho nos ensinou a simplicidade do amor, e ainda assim tropeçamos nas pedras da vaidade? O livre-arbítrio me concede a bênção e o risco de escrever o que a alma sente. E humildemente peço a Deus que me conceda o discernimento para não ser imprudente, mas instrumento. Porque reconheço: cada passo dado em vaidade é um degrau que se perde no abismo da ilusão. Mas ao rasgar um dos véus, vejo uma luz tênue – suave, porém constante – que me chama de volta ao princípio. Ela me recorda que tudo o que se desfaz em sombra pode renascer em claridade, se houver arrependimento e fé. E assim, compreendo que o maior dom concedido ao homem é a chance de recomeçar. Pois enquanto houver amor, nenhum véu será espesso o bastante para ocultar a face luminosa de Deus…
Capítulo 60 – VÉUS DA ILUSÃO

